O Ligamento Cruzado Anterior (LCA) é encontrado dentro da articulação do joelho e é um dos principais responsáveis pela estabilidade do membro. Sua principal função é impedir que a tíbia se desloque para frente em relação ao fêmur, além de conferir estabilidade rotacional à região.
A lesão do LCA é uma das mais comuns no joelho. Atletas que praticam esporte com mudança de direção, como futebol, o basquete e o handebol, são os mais propensos a sofrerem este tipo de trauma.
O entorse do joelho é o principal mecanismo de lesão. Diferentes situações podem levar a esse problema e à consequente lesão do LCA, como:
- Mudança brusca de direção;
- Desaceleração brusca durante a corrida;
- Apoiar os pés incorretamente na aterrizagem de um salto;
- Trauma direto ou colisão contra o joelho.
Os principais sintomas após uma lesão do LCA são dor, inchaço e sensação de falseio.
O inchaço pode iniciar alguns minutos após o entorse e aumentar nas 48 horas seguintes. Após 5 a 7 dias, tende a diminuir mesmo sem tratamento e pode reaparecer no caso de novo trauma ou esforço.
Assim como o inchaço, a dor tende a regredir progressivamente. Nos primeiros dias após a lesão, devido a dor intensa, a movimentação diminui bem como há um aumento da dificuldade para andar. Assim, pode ser necessário, em alguns casos, o auxilio de muletas.
O falseio é a sensação de instabilidade do joelho. Isto pode ocorrer nas atividades cotidianas, como ao entrar no carro ou levantar de uma cadeira. Ou, até mesmo, se apresentar com como um novo entorse ao tentar retornar as atividades esportivas.
Em, aproximadamente, metade das lesões do LCA ocorrem traumas de outras estruturas do joelho, como cartilagem articular, meniscos ou a outros ligamentos.
O diagnóstico de lesão do LCA é realizado através do exame físico ortopédico cuidadoso. Normalmente, são realizados exames de radiografia e ressonância magnética para confirmação da entorse e avaliação de lesões associadas (menisco, cartilagem e outros ligamentos).
O tratamento da lesão do LCA deve ser personalizado para cada paciente. Vários fatores são considerados para a tomada de decisão, como características dos sintomas do paciente, idade, nível de atividade esportiva e desejo de retorno ao esporte. Por exemplo, pacientes com baixa demanda de atividade física e sem sintomas de instabilidade podem ser tratados sem cirurgia com bons resultados. Já os mais jovens, que desejam retornar à prática esportiva de alta demanda, são, na maioria das vezes, candidatos à cirurgia de reconstrução do ligamento.
O LCA rompido, usualmente, não cicatriza se reparado (costurado). Para reestabelecer a estabilidade do ligamento é necessário que o LCA seja reconstruído. Para isso, o ligamento rompido é substituído por um enxerto na mesma posição do ligamento natural. Normalmente, utilizamos como enxerto outros tendões do joelho do próprio paciente, o que chamamos enxerto autólogo. Os mais utilizados são os tendões flexores (grácil e semitendíneo) ou tendão patelar. Cada um tem suas vantagens e desvantagens, e a decisão deve ser tomada de acordo com o caso. A cirurgia é feita de maneira minimamente invasiva, artroscópicas (utilização de câmeras), pois apresentam melhor e mais rápida recuperação pós operatória.
Como leva algum tempo para o ligamento cicatrizar, um atleta pode levar de seis meses a 1 ano para voltar ao esporte depois de uma cirurgia. Durante este período é necessário passar por reabilitação com fisioterapia para recuperar a força e movimento do joelho operado.